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CINEASTA

Matheus Souza tem só 20 anos, mas já provou no seu longa-metragem de estreia, “Apenas o Fim”, que sabe filmar como poucos. A própria crítica teve que se render aos encantos do jovem cineasta, associando a linguagem do filme a Truffaut e Godard. Assim, humildemente comparado às películas dos renomados cineastas franceses, o filme do então estudante do quinto período de Cinema da PUC-Rio foi anunciado pelos quatro ventos que sopram o burburinho cultural do país. O jovem talento acabou ganhando o Festival do Rio 2008, na votação popular, faturou um dos prêmios do público na 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e segue em carreira pelo mundo.

Ao que tudo indica, Matheus Souza é como o cinema digital. Veio para ficar. Inclusive, segundo o consagrado cineasta Domingos de Oliveira, “ele é um general do exército dos filhos do futuro”. Matheus falou ao Conexão Aluno sobre a profissão e as dificuldades para se fazer Cinema no Brasil. Confira a íntegra da entrevista.


Como surgiu a ideia de fazer “Apenas o Fim”?

Matheus Souza – Estava chegando à metade do meu curso de Cinema sem ter filmado nenhum curta. Fiquei revoltado com a minha falta de atitude e resolvi tentar realizar um plano maluco: fazer um longa. Daí, analisei os obstáculos e limitações que tinha pela frente, peguei algumas ideias de filmes de que gostava e que não eram muito mirabolantes, escrevi um roteiro, chamei os amigos e peguei uma câmera emprestada.

Estrear na indústria cinematográfica tão jovem e já com um longa-metragem não soava audacioso demais?

Matheus Souza – Sim, mas eu realmente não imaginava que ia dar nisso tudo. Só queria fazer um filme. Tentei inclusive ser modesto e simples na temática e na fórmula.

Quais as principais dificuldades enfrentadas pelo jovem cineasta?

Matheus Souza – Saber lidar com a decepção de saber que, algumas vezes, suas ideias não serão possíveis de ser realizadas exatamente como na sua cabeça, por limitações de produção ou inexperiência própria. E saber não desistir mesmo assim.

Já pensa num próximo roteiro?


Matheus Souza – Já penso em sete próximos roteiros. Espero que algum deles seja bom...

Hoje, vivemos a febre dos curtas e dos festivais. Ficou mais fácil fazer e mostrar cinema?

Matheus Souza – O mais bacana de fazer um filme é vê-lo passando numa sala escura e depois saber que pessoas riram ou se emocionaram assistindo àquele filme que você fez com tanto esforço. E os festivais são a principal janela para alcançar esse ponto.

Com a revolução digital hoje, até com celular se faz cinema. De que forma a tecnologia e a democratização da produção interferem no conceito cinematográfico?

Matheus Souza – Da mesma forma que interferem em qualquer outro conceito. O aumento dos meios de produção amplia a quantidade de produção, o que não necessariamente se traduz em melhora de qualidade... E no meio de tanta coisa é difícil achar as que realmente valem a pena. Existem milhões de vídeos no YouTube, mas quantos são relevantes? Por outro lado, se não existisse o site, esses relevantes talvez nunca encontrassem uma janela para serem assistidos.

Então, tornou-se mais fácil fazer cinema?

Matheus Souza – Digo que minha experiência foi bem complicada. Foi necessário muito trabalho, sem parar e sem desistir. Eu ainda sou jovem, foi meu primeiro filme. Não sou a melhor pessoa para dizer se o cinema hoje em dia é mais fácil de se fazer. Mas, é claro que o fator digital facilita um pouco as coisas. Eu não conseguiria fazer “Apenas o Fim” de outra forma.

Para fazer cinema hoje é fundamental cursar uma universidade?

Matheus Souza – Acho que foi o Cronenberg [David Cronenberg, cineasta canadense] que disse que existem três tipos de diretores de cinema: aqueles que vêm das universidades, que sabem tudo sobre a parte técnica, mas se desesperam ao ter contato com os atores; os que vêm do teatro, que sabem dirigir um ator, mas não entendem as câmeras; e os que vêm da literatura, que se desesperam com tudo.

O que sonha para “Apenas o Fim”?

Matheus Souza – Eu espero que o sucesso continue. A estreia se deu numa praça favorável. Agora, é torcer para isso continuar. A Mariza Leão, produtora que entrou no projeto para ensinar "o caminho das pedras", diz que um filme tem que fazer sucesso não só no Rio, mas em Petrolina também. Que é importante ter esse alcance. E é isso, queremos lutar para chegar aí. Eu quero que meu filme seja visto pelo máximo de pessoas possível.

O que o aspirante a cineasta precisa ter para se destacar na profissão?

Matheus Souza – Coragem e criatividade.

Que mensagem você deixaria àqueles que desejam fazer cinema?

Matheus Souza – Filmem!

Confira, abaixo, o trailer oficial do filme Apenas o Fim (2009), de Matheus Souza:

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